| Os frutos do guaranazeiro são agrupados em cachos
como as uvas e têm uma forma que lembra o olho humano.
Os Maués-Sateré, nativos, possuem uma lenda que explica o fato:
Cereçaporanga era a cunhã (moça) mais linda da tribo Maués, e era
também a mais bondosa, meiga e carinhosa. Conhecia a linguagem dos
animais e com eles se comunicava, quer fossem feras, aves ou bichos
mansos.
Ela conhecia o segredo das plantas e a arte de curar, e por isso
todos a amavam, mas ninguém ousava desejá-la ou possuí-la, por ela
ser patrimônio da tribo.
Diariamente, os índios Maués desciam o Rio Amazonas rumo à ilha
dos Parintins, uma tribo belicosa e inimiga, mas que propiciava
bons negócios. A fama da cunhã Cereçaporanga era tamanha que corria
os rios e as tribos adjacentes. Foi por isso que um guerreiro Parintim
subiu o grande rio para encontrar-se com Cereçaporanga e uma paixão
violenta uniu o jovem casal.
As tribos rivais se puseram então em pé de guerra por não admitir
a união dos dois.
Foi, então que os jovens apaixonados resolveram fugir, fato que
fez com que as duas tribos partissem imediatamente ao seu encalço.
Era noite escura e apenas o clarão dos relâmpagos iluminava o caminho.
Os dois pararam para descansar embaixo de uma grande árvore e dormiram
abraçados. Um raio então caiu sobre a árvore, derrubando-a sobre
os dois amantes. Ao amanhecer os índios chegaram ao local e só puderam
chorar a morte dos jovens que foram sepultados juntos sem a iguaba
(vaso de cerâmica usado para envolver os mortos).
Tempos depois, no lugar da sepultura, surgiram raízes em forma
dos cabelos e frutos em forma dos olhos de Cereçaporanga. Durante
o sono, o pajé da tribo sonhou com Cereçaporanga, ensinando-o a
fazer uma bebida com o fruto da planta misteriosa, que além de evitar
doenças, tinha propriedades que auxiliavam afrodisiacamente os amantes.
E assim, Cereçaporanga ficou junto do seu povo para sempre. |